a Marta

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  a miúda  
Às vezes o meu nome é Marta Filipa e às vezes é Marta Beijinhos. Nasci no centro do país, longe da paria, mas não necessariamente perto do campo. Cresci numa família atribulada: muitas irmãs, muitos primos e muitos tios (sim, falar de mim e não falar deles poderia ser considerado rídiculo). Agora, vivo entre adorar a calma do som do mar, delirar com a agitação da cidade e estou aprender a gostar de todas as estações do ano. Sou teimosa & apaixonada, na mesma medida. Tenho recordações de uma máquina costura azul, sorrir para câmaras descartáveis e carregar diários por todo o lado.


  o meu percurso  
Eu não posso afirmar ter influência familiar, não me lembro de ver ninguém sempre a tirar fotografias e não me lembro dos momentos dedicados a isso. Sei que certamente alguém gostaria de o fazer pois eu e as minhas irmãs temos muitas fotografias de quando eu era pequenina e quando alguém pergunta eu costumo dizer que comecei a fotografar com treze anos, mas verdade seja dita, até comecei um pouco antes. Lembro-me de ainda só andar no quinto ano e já pedir a câmara emprestada ao meu tio. Lembro-me, inclusive, de passar um fim-de-semana em casa da minha melhor amiga e de câmara na mão fartei-me de fotografar. A partir desse momento foi sempre a pedir uma câmara à minha mãe: sentia a necessidade de ter sempre uma câmara comigo, de registar os momentos. Aos meus treze anos ofereceram à minha mãe uma câmara fotográfica e eu claro, roubei-a maior parte do tempo, queria fazer auto-retratos, queria fotografar as minhas amigas, queria fotografar a cidade e criar mundos imaginários.

Aos quinze anos eu não queria ser fotógrafa, eu queria ser decoradora de interiores, assim eu escolhi estudar Artes Visuais. Também nessa ideia recebi a câmara que me iria acompanhar nos anos seguintes e enquanto não tinha paciência para as aulas de desenho e geometria, sentia-me em casa nas oficinas de artes e multimédia onde havia mais liberdade e eu recorria à fotografia sempre que possível. Ainda assim, depois disso eu não estudei fotografia e também não procurei descobrir como me poderia tornar decoradora de interiores. Depois disso, na verdade, eu não estudei nada. Depois disso eu não tinha perspectivas quanto ao futuro. Depois disso eu comecei a trabalhar numa loja de fotografia, um acaso da vida. Depois disso comecei a fotografar em manual. Aprendi o que sabia por tentativa erro, mas o lado técnico ainda me assustava & aborrecia. Depois disso eu fotografei a minha primeira família. Depois fui estudar Artes Plásticas & Multimédia. Depois fotografei o meu primeiro concerto. Depois disso fui fazer o workshop da Mariana Sabido e juntei a técnica e os nomes correctos ao que tinha aprendido ao longo dos anos. Foi num desses momentos que percebi que fotografar era o que queria fazer para o resto da vida.



  a inspiração  
É para ler sem pausas: acordar cedo, as coisas boas, livros, a minha família, o futuro, o medo de esquecer, os contos infantis, os álbuns de fotografia, as pessoas que conheço e as que já conheci, as memórias, as lojas pequenas, receber cartas, a história, a minha cidade, as palavras, o mau tempo, as luzes, mensagens bonitas, as varandas, o escuro, os padrões bonitos, as flores e os jardins, conhecer, os pés frios, as mudanças, os cobertores, o calor, as mãos quentes, os cachecóis, as horas, férias de verão, o meu lugar à mesa, o meu sofá preferido, mudar de casa, féris de natal, passear, tecidos, o bom tempo, conhecer sítios novos, fazer coisas à mão, desenhar, a escola, os animais, os livros que já li e os que quero ler, o amor, o poupar dinheiro, a publicidade, artitas, museus e exposições, o cinema, o teatro, acordar tarde, poesia, a minha rua, a minha liberdade, as coisas bonitas & claro, as coisas feias também.



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