12.7.17

a vida não é aqui | a mesinha de cabeceira

A ternura nasce no instante em que somos lançados no limiar da idade adulta e em que percebemos cheios de angústia as vantagens da infância, das quais não nos dávamos conta quando éramos crianças. A ternura é o susto que a idade adulta nos inspira. A vida não é aqui de Milan Kundera, pág. 137
  a vida não é aqui | mesinha de cabeceira
Depois de ter lido 'a insustentável leveza do ser', que ficou como um dos meus livros preferidos, fiquei bastante curiosa em relação ao autor e passado algum tempo a namorar os títulos decidi trazer para casa o 'a vida não é aqui'. Este livro conta-nos a história de um poeta desde da sua infância até à sua morte, passando pelos e altos e baixos que um artista tem que sofrer enquanto procura o seu caminho, as suas vontades, aquilo que é, que defende e acredita. Gostei muito mas teria adorado se o tivesse lido aos quinze anos, como me iria identificar com tantas das crises deste poeta, oh!
Não queremos com isto dizer que o corpo lhe fosse indiferente. A ideia da nudez feminina dava-lhe vertigens. Mas registemos escrupulosamente a seguinte diferença subtil: Ele não desejava possuir um corpo de rapariga; desejava um rosto de rapariga iluminado pela nudez do corpo. Não desejava possuir um corpo de uma rapariga; desejava possuir um rosto de rapariga e que esse rosto lhe ofertasse o corpo como prova do seu amor. A vida não é aqui de Milan Kundera, pág. 136

a vida não é aqui | mesinha de cabeceira

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